Fé e Política

26 09 2016

Por Dirceu Pereira da Silva 

Quando se toca no assunto política, muitos, desconversam, saem de perto ou discute, de forma desinteressada, ou ainda de maneira radical, dizendo que uma coisa não se deve misturar com outra. Iniciemos pela definição, dos termos.  “Fé é uma palavra que significa “esperança”, “crença”, “credibilidade”. A fé é um sentimento de total confiança  naquilo que não se vê. Ter fé implica uma atitude contrária à dúvida se está intimamente ligada à confiança. Em algumas situações, como problemas emocionais ou físicos, ter fé significa ter esperança de  que algo vai mudar, de forma positiva, para melhor.De acordo com a etimologia, a palavra fé tem origem no Grego “pistia” que indica  a noção de acreditar e no Latim “fides” que remete para uma atitude de fidelidade. No contexto religioso, a fé é uma virtude daqueles que aceitam como verdade absoluta os princípios difundidos por sua religião. “Fazer fé”: acreditar em alguém ou em algum ato; ter esperança. “Dar fé”: afirmar como verdade. “Boa fé”: forma de agir honestamente, sem quebrar um compromisso. “Ma fé”: agir de forma intencional para prejudicar terceiros”.[1.1]

“Política, é a ciência da governança de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo tem origem no Grego politiká uma derivação de polis que designa aquilo que é público.  O significado de política é muito abrangente e está, em geral ,relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público. Na ciência política, trata-se da forma de atuação de um governo em relação a determinados  temas sociais e econômicos de interesse público: política educacional, política de segurança, política salarial, política habitacional, política, ambiental, etc.” [1.2] Portanto, a fé nos move para aquilo que cremos, valorizamos, seguimos, participamos, interagimos. Da mesma forma da política de acreditar, valorizar, participar, interagir, nela interferir, transformar. “Para Aristóteles, o  homem, é um “animal político”, pois  somente ele possui a linguagem e esta é o fundamento da comunicação entre os seres humanos. Segundo seu ponto de vista, os demais animais só exprimem dor e prazer, mas o Homem utiliza a palavra (logos) e com isso sua capacidade de julgamento entre o bem e o mal, o certo e o errado”. [1.3]

Mas quero me referir especificamente à política partidária, que “é o exercício da política através de filiação a um partido político. De um modo geral todos nós praticamos, contudo, para que esta prática seja de modo válido, precisamos de filiação partidária”. [2.1]. Portanto , o cidadão, cidadã, deve participar, da política partidária, através de um partido, interferir na construção de um Município, Estado e País, onde o bem comum, deva ser objetivo central da atuação política partidária, porque através desta, é possível, uma ideia pessoal, de um parlamentar, se transformar em projeto, que pode virar Lei, que vai beneficiar um número grande de pessoas que de fato precisam ser atendidas. Uma coisa é ajudar alguém, necessitado, porque se é amigo ou porque se deve favor, é parente ou se tem afinidade, outra é através de autoria de uma Lei, que beneficiará pessoas, que nem se conhece e que nunca conhecerá. A política partidária é umas das forma mais nobre de cumprir o Evangelho, religiosamente falando. O que disse o Papa Francisco, sobre a participação da pessoa na vida política? “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão”, ao responder  a perguntas  colocadas por algumas das nove mil crianças de escolas e movimentos  Jesuítas com se encontrou no Vaticano. [3.1] “Os Cristãos não podem fazer como Pilatos, lavar as mãos, devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum” [3.2]

“Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é fácil tornar-se Padre. A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço?” [3.3].

Dom Celso Antônio Marchiori, Bispo da Diocese de Apucarana, reunido mês passado, com dezenas de pré candidatos, citou estas palavras do Papa Francisco. Também falaram aos presentes  o Pe. Paulinho Amaral e o Dr. Paulo Vital.

Este ano teremos eleições Municipais, quando elegeremos, Vereadores, Vereadoras e Prefeitas, Prefeitos. Portanto hora de caprichar, qualificar, nossos representantes, no Executivo e Legislativo. Teve num passado recente um jingle de campanha, que dizia: “uma cidade parece pequena, se comparada a um país, mas é na tua, na minha cidade que se começa a ser feliz...” É preciso conhecer os candidatos, ver seu passado, se já foi ou é voluntário, se participa de atividades na comunidade, se é prestativo, se é honesto nos negócios, se é bom chefe de família, etc. Isto no Município, não é difícil saber. Outra questão é negociar o VOTO, nem pensar, é crime, previsto na Lei 9840/99. Tem uma frase, que é de autoria de um apucaranense, (Antônio Damas Ribeiro), slogan, adotado em todo o Brasil, esta diz: “VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIA”. Pense nisto.

1.1www.significados.com.br/politica/

1.2Idem

1.3Idem

2.1 www.dicionárioinformal.com.br/significado/politica%20partidária16328

3.1 www.snpcultura.org/envolvimento_na_politica_e_obrigacao_para_cristao.html

3.2 idem

3.3 idem

Dirceu Pereira da Silva. Diácono Permanente da Diocese de Apucarana. 

Formado em Letras, 2000, Fafijan (Jandaia do Sul), especialização em Teologia Bíblica, 2011, PUC/PR (Londrina)