TERCEIRO DOGMA MARIANO - IMACULADA CONCEIÇÃO

27 Mai 2018

“A Igreja Católica, que, instruída pelo Espírito de Deus, é "a coluna e a base da verdade"(1Tm 3,15), SEMPRE considerou como divinamente revelada e como contida no depósito da celeste revelação esta doutrina acerca da inocência original da augusta Virgem, doutrina que está tão perfeitamente em harmonia com a sua maravilhosa santidade, e com a sua eminente dignidade de Mãe de Deus; e, como tal, nunca cessou de explicá-la, ensiná-la e favorecê-la cada dia mais, de muitos modos e com atos solenes.”

O texto acima retirado da bula papal dogmática Ineffabilis Deus, nos inicia na definição oficial do dogma da Imaculada Conceição. Em 8 de dezembro de 1854 disse Pio IX: (...) “que a doutrina que defende que a beatíssima Virgem Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção, por singular graça de privilégio de Deus onipotente e em atenção aos merecimentos de Jesus Cristo salvador do gênero humano, foi revelada por Deus e que, por isso deve ser admitida com fé firme e constante por todos os fiéis. “

Como sabemos que toda a Santa Tradição provém dos apóstolos, em doutrina permanente, como Revelação Divina, claramente encontramos a Imaculada Conceição desde o início do cristianismo, nos doutores da Santa Igreja, que é a guardiã depositária dos ensinamentos de Cristo. Assim a festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, já era comemorada como uma festa universal desde 1476 pelo Papa Sisto IV, antes de ser dogma.

A Virgem Maria sendo cumprimentada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça", bem como os escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão nos indicam a pureza de Nossa Senhora (Irineu de Lyon, Adversus haereses, V, 19,3; Ambrose of Milan, Expositio in Lucam 1640)

Já no século II cresce a consciência da santidade de Maria (S. Justino, S. Irineu; Melitão de Sardes). O Apócrifo “Protoevangelho de Tiago” narra seu nascimento milagroso. No século III Hipólito de Roma chama de “madeira incorruptível” a “Virgem” e o “Espírito Santo”. Orígenes é o primeiro a chamar Maria de “Toda Santa” (“Pan-hagia”).

No século IV   Metódio de Olímpia fala de Maria como “cheia de graça”, “imaculada”. S. Efrém é ainda mais incisivo: “…em ti, Senhor, não há mancha nem há em tua mãe mancha alguma” (Carmina nisibena 27,8). S. Gregório Nazianzeno começa a refletir sobre a necessidade de uma purificação com antecedência em Maria por obra do Espírito, em virtude de sua missão (Or. 38,12; cf. também S. Hilário de Poitiers; S. Cirilo de Jerusalém; S. Ambrósio).

Portanto a Santa Igreja em seus primórdios já professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.

Em sua Constituição Apostólica Ineffabilis Deus que definiu oficialmente a Imaculada Conceição como dogma, o Papa Pio IX utiliza diversas afirmações como de Gênesis 3,15: “Por tal motivo, ao explicar as palavras com que, desde as origens do mundo, Deus anunciou os remédios preparados pela sua misericórdia para a regeneração dos homens, confundiu a audácia da serpente enganadora e reergueu admiravelmente as esperanças do gênero humano, dizendo: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela", eles ensinaram que, com esta divina profecia, foi clara e abertamente indicado o misericordiosíssimo Redentor do gênero humano, isto é, o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo; foi designada sua beatíssima Mãe, a Virgem Maria; e, ao mesmo tempo, foi nitidamente expressa a inimizade de um e de outra contra o demônio.

Em consequência disto, assim como Cristo, Mediador entre Deus e os homens, assumindo a natureza humana destruiu o decreto de condenação que havia contra nós, cravando-o triunfalmente na Cruz, assim também a Santíssima Virgem, unida com Ele por um liame estreitíssimo e indissolvível, foi, conjuntamente com Ele e por meio d’Ele, a eterna inimiga da venenosa serpente, e esmagou-lhe a cabeça com seu pé virginal. ” (ID,21-22)

 

Também o texto: "Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti" ("Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te"), no Cântico dos Cânticos (4,7) é usado para defender a Imaculada Conceição, bem como outros versículos:

"Pode o puro [Jesus] Vir dum ser impuro? Jamais!"(Jó 14,4)

"Assim, fiz uma arca de madeira incorruptível, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão." (Deuteronômio 10,3)

Maria é considerada a Arca da Nova da Aliança (Apocalipse 11,19;12,1) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente "incorruptível" ou "imaculada"

Na Itália do século XV, o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de março de 1876, após a definição do dogma, com 300 dias de indulgência por cada vez que é recitado.

Também são Tomás de Aquino no final de sua vida defendeu sua tese original favorável ao dogma mariano no texto Expositio super Salutatione angelicae, em 1273: "Ela é, pois, puríssima também quanto à culpa, pois nunca incorreu em nenhum pecado, nem original, nem mortal ou venial."

Santa Bernadette Soubirous (que foi Congregada Mariana), a jovem que viu Nossa Senhora em Lourdes, disse que a                        Santíssima Virgem se auto definiu como: Eu sou a Imaculada Conceição. Isso aconteceu em 1858, apenas quatro anos após a definição do dogma.   Bernadette Soubirous, de apenas 14 anos, era perguntada: Ora, como é que poderia aquela pobre menina saber que, quatro anos antes, tinha sido promulgado pelo papa Pio IX o dogma da Imaculada Conceição? Ela nem sequer sabia o que a palavra “conceição” significava!

Todos os estudiosos consideram quase impossível que uma adolescente como era Bernadete, vivendo num lugarejo insignificante como era Lourdes, soubesse da proclamação do dogma e muito menos o seu significado. Por isso, as aparições de Nossa Senhora em Lourdes são consideradas como uma confirmação celestial do dogma da Imaculada Conceição.

Bernadette morreu num convento, escondida do mundo, vinte e um anos depois da última aparição. Seu corpo permaneceu incorrupto internamente como um sinal do céu.

Desta forma confirma o Catecismo: Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe do seu Filho. “Cheia de graça”, ela é “o mais excelso fruto da Redenção”. Desde o primeiro instante da sua concepção, ela foi totalmente preservada imune da mancha do pecado original, e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo da vida. (CIC 508)

Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus “a toda santa” (“Pan-hagia”), celebram-na como “imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura”. Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida. (CIC 493)

“ (...). Como diz Santo Irineu (séc. II), ‘obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o gênero humano’. Eis porque não poucos Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que ‘o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé’; e, por comparação com Eva, chamam Maria a ‘Mãe dos vivos’ e afirmam muitas vezes: ‘a morte veio por Eva, a vida veio por Maria’”. (Santo Irineu, adv. haer.3,22,4;) (CIC 494)

Adão e Eva foram criados imaculados – sem pecado original ou sua mancha. Ambos caíram em desgraça e, através deles, a humanidade estava destinada a pecar. Cristo e Maria também foram concebidos imaculados. Ambos permaneceram fiéis e, através deles, a humanidade foi redimida do pecado. Jesus é o novo Adão e Maria, a nova Eva.

Assim o Papa Pio IX declarou:

“...e, por isso, afirmaram (os Padres da Igreja) que a mesma Santíssima Virgem foi por graça limpa de toda mancha de pecado e livre de toda mácula de corpo, alma e entendimento, que sempre esteve com Deus, unida com Ele com eterna aliança, que nunca esteve nas trevas, mas na luz e, de conseguinte, que foi aptidíssima morada para Cristo, não por disposição corporal, mas pela graça original”.

“Pois não caía bem que Aquele objeto de eleição fosse atacado, da universal miséria pois, diferenciando-se imensamente dos demais, participou da natureza, não da culpa; mais ainda, muito mais convinha que como o unigênito teve Pai no céu, a quem os serafins exaltam por Santíssimo, tivesse também na terra Mãe que não houvesse jamais sofrido diminuição no brilho de sua santidade “.

São Paulo escreve: Não foi Adão o seduzido, mas a mulher. (1Tm 2,14); portanto, devia ser também por meio da mulher que a salvação chegasse à terra.

Para isso foi preciso que Deus preparasse uma nova Mulher, uma nova Virgem, uma nova Eva, que fosse isenta do pecado original, que pudesse trazer em seu seio virginal o autor da salvação. A Mãe de Deus não poderia ter o pecado original.

Assim, o Senhor antecipou para Maria, a escolhida entre todas, a graça da Redenção que seu Filho conquistaria com Sua Paixão e Morte. A Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi o primeiro fruto que Jesus conquistou com Sua morte. E Maria foi concebida no seio de sua mãe sem o pecado original.

A santidade do Filho é causa da santificação antecipada da Mãe, como o sol ilumina o céu antes de ele mesmo aparecer no horizonte.

Se tratando de Maria Santíssima Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, é realmente sensacional em seu livro “Glórias de Maria” (GM) onde estão alguns excertos abaixo:

“Maria tinha de ser medianeira de paz entre Deus e os homens. Logo, absolutamente não podia aparecer como pecadora e inimiga de Deus, mas só como Sua amiga, toda imaculada”. (Glórias de Maria, 19ªed.p. 237). E ainda: “Maria devia ser mulher forte, posta no mundo para vencer a Lúcifer, e, portanto, devia permanecer sempre livre de toda mácula e de toda a sujeição ao inimigo”. (Idem, p. 238).

Diz o livro dos Provérbios: A glória dos filhos são seus pais (Pr 17,6); logo, é certo que Deus quis glorificar Seu Filho humanado também pelo nascimento de uma Mãe toda pura. (GM, p.239)

“Nesta mesma linha afirmava S. Agostinho de Hipona, Bispo e doutor da Igreja (430), já no século V: Nem se deve tocar na palavra pecado em se tratando de Maria; e isso por respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça” (GM, p. 244).

“Pergunta S. Cirilo de Alexandria (370-444), bispo e doutor da Igreja: Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse? ” (GM, p. 245).

Por fim, muitos grandes doutores da Igreja pararam diante da dificuldade de conciliar a pureza original de Maria com a necessidade universal da Redenção. O dogma da Redenção era tão evidente que para conciliá-lo com a Imaculada Conceição foi necessária a demonstração do teólogo franciscano Duns Escoto, segundo a qual este privilégio, bem longe de excluir Nossa Senhora da ação redentora de seu Filho, era o fruto mais excelente da redenção que Ele obteve. Nosso Senhor redimiu Nossa Senhora pelos méritos que Ele conquistou na cruz, mas com antecedência, e a fez imaculada desde o primeiro instante de sua existência. Os méritos de Cristo não a restauraram, mas a preservaram. Maria é a glória mais puríssima de Jesus Redentor. Essa é a grande tradição da Igreja.

 

Salve Maria!

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