A Mãe de Jesus, vivamente presente nos Documentos do Concílio Vaticano II

09 Mai 2012

 A Mãe de Jesus, vivamente presente nos Documentos do Concílio Vaticano II

 A Mãe de Jesus, vivamente presente nos Documentos do Concílio Vaticano II

 

 “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo... Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1, 28. 30).

 

Em outubro deste ano, no dia 11, quando o Papa Bento XVI fizer a abertura do Ano da Fé, estaremos iniciando as comemorações do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e o 20º aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Estes dois aniversários, muito significativos para nós, são motivos de grande alegria para toda a Igreja. Certamente este será um momento privilegiado onde poderemos contemplar agradecidos o imenso dom que foi o Concílio Vaticano II. E um dos dons que desejo partilhar com vocês é o da presença de Maria no Concílio Vaticano II.

O Concílio Vaticano II(1962-1965), convocado pelo Papa João XXIII e encerrado por Paulo VI , foi uma corajosa opção de reavivamento espiritual e pastoral, e um chamado a abrir as janelas para a modernidade. A Igreja é chamada a abrir-se e a dialogar com o mundo.

Maria esteve sempre muito presente no Concílio Vaticano II. Este organizou um tratado completo sobre o tema mariano que se desenvolve especialmente no capítulo VIII da Lumen Gentium. A maioria dos documentos fazem referência a Maria, embora de maneira muito breve, como por exemplo, a Constituição sobre a liturgia, Sacrosantum Concilium, que nos exorta a celebrarmos anualmente os mistérios de Cristo, venerando com amor, Maria, Mãe de Deus, junto com a obra redentora do seu Filho. O documento sobre o ministério e a vida dos presbíteros, Presbiterorum Ordinis, nos apresenta Maria como auxiliadora na missão sacerdotal e modelo de quem acolhe a vontade de Deus. Em Ad gentes, todos somos motivados a nos tornarmos missionários. No decreto sobre a formação sacerdotal, Optatam Totius, os seminaristas são chamados a cultivarem um grande amor a Maria. Em Perfectae Caritatis, Maria é apresentada como modelo para os religiosos e religiosas que devem progredir na santidade e produzir sempre mais frutos de salvação. No decreto sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam Actuositatem, Maria é apresentada como modelo perfeito de vida espiritual e apostólica. Vivendo no recôndito de seu lar, com Jesus e São José, ela colaborou com o Filho na obra redentora. Ela continua colaborando nos motivando para uma vida apostólica eficaz. Na Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, em seu capítulo VIII, dedicado à doutrina sobre a Virgem Maria Mãe de Deus, Maria está relacionada com o mistério de Cristo e da Igreja que é, certamente, uma síntese bem feita e articulada da doutrina mariana. O mais importante do espírito mariano aqui, é o fato de que o Concílio Vaticano II tenha inserido Maria na História da salvação, especialmente no mistério de Cristo e da Igreja.

O Concílio destacou o lado humano de Maria. Como mulher livre, consciente e responsável, ela cooperou eficazmente no projeto de seu Filho Jesus. E é justamente isso que importa: a presença de Maria sempre deve despertar uma renovação da vida de fé de todos os discípulos e discípulas de Cristo, pois ela é, essencialmente, um modelo de fé viva e comprometida com o Reino de Deus.

A presença da Mãe de Jesus, desde a sua preparação até a conclusão do Concílio, deixou marcas importantíssimas em todos os textos do Concílio. Frutos de muita reflexão e maturação, tais textos indicam ainda um caminho a trilhar onde Maria nos é proposta como modelo de vida e de santidade. Ela nos mostra como continuar o caminho num clima de profunda confiança na Divina Providência, sem medo de enfrentar os desafios que a realidade nos propõe, sem retroceder, mas avançando sempre, ainda que aos poucos e às apalpadelas.

Neste mês de maio, lembrando e celebrando o nome glorioso desta Mãe tão bondosa que tão bem fez a vontade de Deus, lembremos carinhosamente de nossas mães que, à semelhança de Maria, cuidaram de nós para que fôssemos pelo batismo feitos filhos de Deus. Retribuindo sua dedicação e seu amor para conosco, façamos maiores progressos na santidade e, sempre mais comprometidos com o Reino de Deus, como verdadeiros missionários, trabalhemos devotados por um mundo mais humano e mais fraterno, onde todos possam viver felizes e em paz.

 

Dom Celso A. Marchiori

Apucarana, 04 de maio de 2012