Palavra do Bispo

AS QUERIDAS FREIRAS

12 08 2021

“E todo aquele que deixar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras por amor de mim, receberá cem vterá como herança a vida eterna” (Mt 19,29).

A primeira vocação humana é o chamado ao protagonismo da nossa própria história, vivendo como irmãos em Cristo, sujeitos à Palavra e ao amor incondicional de Deus Pai. No entanto, há em algumas pessoas um inquietante chamado a ser mais, a ir além da vocação natural e comum à maioria das pessoas. Trata-se de um chamado do próprio Deus, que impele e direciona a pessoa a ser algo a mais, dentro da vida da Igreja de Jesus Cristo. É o convite a ser consagrado à Deus e à sua Igreja: vida vocacional à serviço do Reino. No terceiro domingo de mês de agosto, celebra-se a Vida Consagrada ou religiosa. Aqui incluímos os homens e mulheres pertencentes a tantas Congregações ou Ordens, aprovadas pela Igreja ao longo dos séculos. Em nossa Diocese temos ao padres Josefinos e Palotinos. A eles agradecemos toda a dedicação ao longo de décadas em nossa diocese. Queremos destacar hoje, as nossas queridas freiras, as Irmãs Consagradas à vida religiosa. A vocação feminina é um dom todo especial e um sinal de unidade em Cristo, não só para a vida eclesial, mas para toda a humanidade. São mulheres que, ao ouvir o sussurrar do Espírito Santo, se inquietam com essa voz, e descobrem em si mesmas, dons e carismas especiais que as direcionam ao serviço religioso. Elas, animadas pelo Espírito Santo, se consagram inteiramente ao Senhor, numa missão e espiritualidade específicas, doando-se ao serviço ao próximo, à vida de oração e contemplação e na vivência do Evangelho de Jesus. O cerne da vocação feminina está em saber que, sem mérito próprio, mas por intervenção e escolha Divina, abdicam das coisas do mundo, para, estando no mundo, serem reflexo do Rosto de Deus. São mulheres que assumem um único objetivo em suas vidas: consagrar-se a Jesus Cristo e difundir o seu Reino de amor, através do carisma próprio de cada Congregação. Para isso, não hesitam em deixar famílias, bens, propriedades, casa, amigos e tudo o que poderia prendê-las ao mundo e à vida afetiva, para, numa doação total à Deus, viver sua vocação batismal como serviço consagrado ao Senhor, numa vida de oração, intercessão e trabalho. Essas bravas mulheres são o ‘sinal esponsal’ da Igreja de Cristo, posto que são inteiramente consagradas a Ele, numa união indissolúvel, pela integridade da fé Nele e do amor incondicional que sentem e recebem do próprio Deus. Esse amor sublime dispensado a elas pelo Pai, as tornam mães e cuidadoras de milhares de irmãos e irmãs espalhados pelo mundo, tão necessitados de carinho e afeto. Dedicadas a servir à Igreja, no serviço ao próximo, a presença das Congregações Femininas na Diocese, Comunidades, Diaconias e Paróquias, torna visível a ligação de comunhão profunda e adesão ao plano de Deus para o povo, pois demonstram, com suas ações e testemunho uma fé convicta em Cristo e na sua Igreja. Mulheres de fé, que com a delicadeza própria de sua criação, porém, firmes em seus propósitos de serem fieis à sua vocação, são “capazes de despertar o mundo” para a alegria de servir, como enfatizou o Papa Francisco, se referindo ao carisma feminino dentro da Igreja, pois “onde há uma autêntica vida consagrada, há a alegria do próprio Cristo”. A alegria do servir a Cristo em primeiro lugar, e consequentemente à Igreja e aos irmãos, faz das Religiosas uma presença marcante na vida missionária e catequética da Igreja e das comunidades onde servem. Com seus variados carismas, a “freiras”, como carinhosamente são chamadas pelo povo, se destacam no trabalho silencioso e discreto, porém essencial no contexto contemporâneo da sociedade. Com o olhar sempre voltado para o Alto, para as coisas de Deus, as religiosas mantêm seus pés firmes na terra, no nosso chão e se dedicam com afinco, amor e muito trabalho à vida consagrada, vivendo intimamente os mesmos sentimentos do Coração de Cristo, na obediência, castidade, pureza e pobreza, esperando e confiando na Providência Divina, que nunca lhes falha, sendo, verdadeiramente, pessoas livres de si mesmas, que vivem para Deus e seus desígnios. Sejam as contemplativas, missionárias, professoras de educandários e escolas católicas, formadoras de novas vocacionadas, líderes de pastorais sociais, empenhadas na formação catequética de leigos e leigas, auxiliares nas Dioceses e Paróquias, todas, cada qual em seu carisma próprio são sinais luminosos no caminhar do povo de Deus, rumo à santidade pessoal e comunitária, numa perfeita doação de si mesma, onde todo sacrifício se une às Chagas de Cristo para o bem maior: a salvação das almas. Nossa eterna e elevada gratidão às Irmãs Consagradas, que, a exemplo da Virgem Maria, mesmo em meio a tantos percalços e tribulações, não se deixam abater nem desaminar, e continuam plantando a Palavra e o Amor por onde passam, testemunhando que vale muito gastar-se e construir-se por Cristo e pela Igreja, pois, como diz a Palavra: “Onde está o teu tesouro, também está teu coração” (Mt 6,21). 

Dom Carlos José de Oliveira
Bispo da Diocese de Apucarana