Solenidade de Corpus Christi

31 Mai 2013

 Apucarana, 30 de maio de 2013

 

Lendo e meditando a Palavra de Deus que acabamos de ouvir e motivado por uma mensagem do Papa Bento XVI, proferida na hora do Angelus, do dia 10 de junho de 2007, quero partilhar com todos os irmãos e irmãs o seguinte:

 

Este dia solene de Corpus Christi “convida-nos a contemplar o supremo Mistério da nossa fé: a Santíssima Eucaristia, presença real do Senhor Jesus Cristo no Sacramento do altar. Sempre que nós sacerdotes renovamos o Sacrifício Eucarístico, na oração de consagração repetimos: "Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue". Pronunciamos estas palavras emprestando nossa voz, mãos e coração a Cristo, que quis permanecer conosco e ser o coração pulsante da Igreja. Mas também não podemos deixar de crer na presença de Jesus vivo após a celebração dos mistérios divinos, pois o Senhor Jesus permanece vivo no Tabernáculo através das reservas eucarísticas; por isso a ele nós prestamos louvor especialmente com a adoração, como nos recorda Exortação apostólica Sacramentum Caritatis (cf. nn. 66-69). Aliás, existe um vínculo intrínseco entre a celebração e a adoração. De fato, a Santa Missa é em si mesma o maior ato de adoração da Igreja: "Ninguém come desta carne escreve Santo Agostinho se primeiro não a adora" (Enarr. in Ps. 98, 9; CCL XXXIX, 1385). Com a adoração fora da Santa Missa prolongamos e intensificamos tudo o que aconteceu na celebração litúrgica, e favorecemos um acolhimento verdadeiro e profundo de Cristo em nós.

 

Sobre o Sacrário, quero esclarecer o seguinte: conforme a Instrução Geral do Missal Romano, Nº 276 e 277, que “o Santíssimo Sacramento seja conservado num tabernáculo, colocado em lugar de honra na igreja, suficientemente amplo, visível, devidamente decorado e que favoreça a oração”. A Exortação Apostólica, Sacramentum Caritatis, de Bento XVI, Nº 69, diz que “uma correta localização do sacrário ajuda a reconhecer a presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento; por isso, é necessário que o lugar onde são conservadas as espécies eucarísticas seja fácil de individuar por qualquer pessoa que entre na igreja, graças nomeadamente à lâmpada do Santíssimo perenemente acesa. Tendo em vista tal objetivo, é preciso considerar a disposição arquitetônica do edifício sagrado: nas igrejas, onde não existe a capela do Santíssimo Sacramento mas perdura o altar-mor com o sacrário, convém continuar a valer-se de tal estrutura para a conservação e adoração da Eucaristia, evitando porém colocar a cadeira do celebrante na sua frente. Nas novas igrejas, bom seria predispor a capela do Santíssimo nas proximidades do presbitério; onde isso não for possível, é preferível colocar o sacrário no presbitério, em lugar suficientemente elevado, no centro do fecho absidal ou então noutro ponto onde fique de igual modo bem visível. Estas precauções concorrem para conferir dignidade ao sacrário que deve ser cuidado sempre também sob o perfil artístico.

 

Nesta Solenidade de Corpus Christi, nas comunidades católicas de todas as partes do mundo, se realiza a procissão Eucarística, uma especial forma de adoração pública da Eucaristia, enriquecida por bonitas manifestações tradicionais de devoção popular. Aproveito para manifestar um desejo que não é meu, mas da Igreja, e recomendar vivamente aos padres, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas e a todos os fiéis a prática da adoração Eucarística. Tenham um tempo reservado, por dia, por semana ou por mês, para permanecerem por algum tempo, de acordo com suas possibilidades, em adoração a Jesus, que aí, no Sacrário, está sacramental e realmente presente. A ele manifestemos nossa oração de louvor, de ação de graças, de súplicas por toda a Igreja e, especialmente, de silenciosa e profunda adoração.

 

Quero também aproveitar para lhes dizer que estamos estudando uma forma para que em cada decanato, tenhamos uma Igreja, seja ela paroquial ou não, pois pode ser também uma capela, onde possamos expor Jesus Eucarístico para adoração diária; por exemplo, das 07h00 às 17h00 todos os dias.

 

Assim, queremos oportunizar a todos os católicos e a todos que se sentirem atraídos, uma oportunidade para intensificarem sua espiritualidade eucarística e, dessa forma, incentivar a todos para que vivam uma vida de oração, ou seja, uma vida em permanente diálogo e intimidade com Jesus. Na verdade, esta iniciativa é um convite à centralidade de Cristo na nossa vida pessoal e eclesial. Alegro-me ao verificar que muita gente e muitos jovens já descobriram a beleza da adoração, quer pessoal quer comunitária e a buscam diariamente.

 

Aos que vão organizar estas horas de adoração, sejam sacerdotes, diáconos, religiosos ou leigos, peço que cuidem para que as formas de adoração comunitária sejam sempre apropriadas e dignas, com adequados tempos de silêncio e de escuta da Palavra de Deus. Na vida de hoje, com frequência rumorosa e dispersiva, é muito importante recuperar a capacidade de silêncio interior e de recolhimento: a adoração Eucarística deve nos permitir fazer silêncio em companhia daquele que nos amou até ao extremo, Jesus Cristo, o Deus que está bem pertinho de nós.

 

Aprendamos com a Mãe de Jesus, Mulher Eucarística por excelência, a viver no segredo da verdadeira adoração. O Coração de Maria, humilde e simples, estava sempre em recolhimento à volta do mistério de Jesus, no qual adorava a presença de Deus e do seu Amor redentor. Invocando-a sob o título de Nossa Senhora de Lourdes, e contando sempre com sua intercessão, cresça em toda a Diocese de Apucarana a fé no Mistério Eucarístico, a alegria de participar na Santa Missa, especialmente dominical, o espírito de comunhão e de partilha e o impulso para testemunhar a imensa caridade de Cristo. Amém.

 

Dom Celso A. Marchiori

Bispo de Apucarana