A Importância da Bíblia para os discípulos de Cristo

06 09 2013

 “Meu povo se perde por falta de conhecimento” (Os 6, 4).

 

 

 

 

Apucarana, 01 de setembro de 2013

 

Desde quando eu li, pela primeira vez, esse versículo da Bíblia: “Meu povo se perde por falta de conhecimento” (Os 6, 4),  meu pensamento não me deixou em paz. Comecei, então, a procurar em outras traduções e percebi que o verbete “se perde” pode ser também traduzido como: está morrendo, está perdendo a fé, está se desviando, está sendo enganado, está se dispersando, fica sem rumo, está desvirtuado, está arruinado, e assim por diante.

De fato, sem a Palavra de Deus, rezada, acolhida, assimilada, encarnada, e em comunhão com a Igreja, perdemos o rumo da vida e deixamos de ser discípulos de Cristo. Quando entramos em contato com os santos evangelhos, vamos percebendo que Jesus falava com seus discípulos constantemente. A Palavra de Jesus os animava, ensinava, corrigia, apaziguava; constantemente os discípulos eram questionados por Jesus em relação aos seus comentários, às suas  atitudes e às suas reações, nem sempre apropriadas para quem andava com Jesus. E Jesus lhes falava duramente questionando, inclusive, sua fé e seu seguimento. Certa vez, em relação ao tema do Pão da Vida, quando alguns discípulos começaram a se afastar porque as Palavras de Jesus lhes eram muito duras, pois não compreendiam quando o Senhor lhes sugeria de comerem sua carne e beberem o seu sangue, Jesus chegou a dizer aos Doze, nesta ocasião, e com muita ênfase, se eles também queriam ir embora. Ao que Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Só tu tens Palavra de vida eterna!” (Jo 6, 68).

Assim como aos discípulos e aos seus apóstolos nos evangelhos, também a nós, discípulos de hoje, Jesus exorta, ensina, motiva, corrige, questiona e suscita uma resposta concreta para que assumamos, livre e alegremente, a missão de evangelizar, de testemunhar e de transformar a realidade laica, ateia, consumista, materialista, cuja cultura nos leva à morte, à destruição, onde Deus é excluído, o ser humano é descartado, os valores cristãos deletados, enfim, uma realidade anticristã que leva em conta somente a matéria e o prazer aqui e agora e onde “quem pode mais chora menos”.

Por isso, meus irmãos e minhas irmãs, aproveito para lhes fazer um apelo: leiam a Bíblia. Estudem a Palavra de Deus. Conheçam as Sagradas Escrituras. Não percam tempo com coisas que não edificam. Conhecer as Escrituras é conhecer a Cristo. Portanto, tenham a cada dia um horário marcado com o Senhor e se dediquem à leitura e à meditação da Palavra. Deixem que sua luz invada seu coração, sua mente, todo o seu interior. Não permitam que ninguém se perca por falta de conhecimento deste conteúdo salutar. Que ninguém sofra por não beber desta “água viva que jorra para a vida eterna” (cf. Jo 7, 38).

Quantas pessoas que, por não conhecerem a Bíblia Sagrada, pereceram, foram exploradas, dispersas, separadas da comunidade e até da família. Quanta gente anda por aí sem saber o que quer da vida, justamente porque ignora as Páginas Sagradas. Pessoalmente, em família, em grupos, em Movimentos, em Pastorais, que todos, de algum modo cultivem o belíssimo hábito da Lectio Divina, ou seja, da leitura orante da Bíblia, pois como nos diz as mesmas Escrituras, “a Palavra é uma lâmpada para os nossos passos” (Sl 118, 105).

Será também muito proveitoso e edificante se nos habituarmos em presentear uma Bíblia para as pessoas que nos circundam, como parentes, amigos e colegas. E que todos os pais incentivem seus filhos para que também eles se esforcem por conhecer mais as Sagradas Escrituras, pois nelas eles encontrarão incessantemente seu alimento e sua força. Especialmente, que nossos jovens se habituem a ler os Evangelhos, pois como nos diz o documento Verbum Domini, em seu número 104,  encontramos nos jovens “uma abertura espontânea à escuta da Palavra de Deus e um desejo sincero de conhecer Jesus. De fato, na idade da juventude, surgem de modo irreprimível e sincero as questões sobre o sentido da própria vida e sobre a direção que se deve dar à própria existência. A estas questões só Deus sabe dar verdadeira resposta. Esta solicitude pelo mundo juvenil implica a coragem de um anúncio claro; devemos ajudar os jovens a ganharem confidência e familiaridade com a Sagrada Escritura, para que seja como uma bússola que indica a estrada a seguir. Para isso, precisam de testemunhas e mestres, que caminhem com eles e os orientem para amarem e por sua vez comunicarem o Evangelho sobretudo aos da sua idade, tornando-se eles mesmos arautos autênticos e credíveis”.

Que a Mãe de Jesus, feliz porque acreditou, e, nesta fé, acolheu no seu ventre o Verbo de Deus para o dar ao mundo, seja um luminoso sinal para todos os que querem ser fiéis seguidores da Palavra Viva, Jesus Cristo, nosso mestre e Senhor.

 

 

Dom Celso A. Marchiori

Bispo de Apucarana