DOM CELSO ENCAMINHA CARTA A GRUPOS DE VIVÊNCIA

04 Nov 2013

 Estimados presbíteros e diáconos, irmãos e irmãs da Diocese de Apucarana,

Estamos nos aproximando da celebração jubilar de nossa Diocese de Apucarana. São quase cinquenta anos de muito trabalho, de muita fé, de organização e articulação da ação evangelizadora. Desde seus primórdios, graças ao inesquecível e incansável empenho de Dom Romeu Alberti, primeiro bispo diocesano, essa Igreja Particular está organizada em diversos níveis. Na época de Dom Romeu, o nível mais elementar da Igreja em Apucarana, logo após a família, Igreja Doméstica, era formado pelas igrejas-base. Na década de 1990, quando Dom Domingos era o bispo diocesano, houve uma mudança na nomenclatura das igrejas-base, as quais, a partir do Projeto de Evangelização Vida e Esperança, passaram a se chamar Grupos de Vivência.

Quando Dom Luís Vincenzo, em 2006, promulgou sua Carta Pastoral, ele explicitava os níveis de Igreja nessa Diocese, o que garantiu clareza e comunhão entre as diversas paróquias. Segundo Dom Luís os níveis de Igreja são: Grupos de Vivência, Diaconias, Comunidades (para paróquias populosas), Paróquias, Decanatos, Diocese. Creio que isso está muito claro para todos, especialmente aos presbíteros, diáconos e lideranças em geral.

Nesta oportunidade, gostaria de refletir com vocês, caros filhos e filhas, sobre os Grupos de Vivência. Noutras ocasiões poderemos falar sobre os demais níveis de Igreja.

Os Grupos de Vivência, mais de 1700 em toda a Diocese, são pérolas preciosíssimas e um poderoso instrumento de evangelização. Desde já, desejo manifestar meu sincero agradecimento a todos os que estão diretamente envolvidos com eles: a Equipe Diocesana e as Equipes Decanais e Paroquiais de Coordenação do Serviço de Animação de Comunidades, o assessor diocesano, Pe. Paulinho Amaral e os assessores decanais deste Serviço, os animadores de Grupos de Vivência e todos os fiéis que deles participam todas as semanas.

Estamos vivendo um período muito fecundo da vida da Igreja. O último Sínodo dos Bispos tratou do tema da nova evangelização; o Documento de Aparecida, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2011-2015 e o Estudo 104 da CNBB, chamam nossa atenção para a “conversão pessoal e pastoral”, para a “superação de estruturas obsoletas”, para a “renovação das paróquias”, para a missão, a iniciação à vida Cristã, a animação bíblica de nossas comunidades, a formação de comunidades de comunidades e o serviço à vida plena (cinco urgências da ação evangelizadora). Neste fervilhar de ideias e reflexões, podemos perceber como nossa Diocese deu passos significativos. Quantos trabalhos bonitos e frutuosos já foram realizados! O que o Estudo 104 da CNBB (cf. nn. 159-161), citando Aparecida e as atuais DGAE, fala acerca das CEB’s, pode facilmente ser aplicado aos Grupos de Vivência:

a)       São alimentados pela Palavra de Deus, pela fraternidade, pela oração e pela Eucaristia;

b)       São a presença da Igreja junto aos mais simples, comprometendo-se com eles em buscar uma sociedade mais justa e solidária.

c)       Constituem uma forma privilegiada de vivência comunitária da fé, inserida no seio da sociedade em perspectiva profética;

d)       São desafiados a não esmorecer diante dos desafios impostos pelo atual contexto de mudança de época;

e)       Inseridos no projeto da pastoral diocesana, se convertem em sinal de vitalidade na Igreja Particular;

f)        Contribuem para revitalizar as paróquias, fazendo delas comunidades de comunidades.

 

Além disso, creio que os Grupos de Vivência, quando bem organizados, são uma resposta muito boa as cinco urgências da ação evangelizadora destacadas pelas atuais DGAE e apresentadas em nosso 22º PLADAE – Igreja em estado permanente de missão; Igreja: casa da iniciação à vida cristã; Igreja: lugar da animação bíblica da vida e da pastoral; Igreja: comunidade de comunidades; Igreja a serviço da vida plena para todos.

Tendo diante dos olhos o desafio da renovação paroquial, gostaria de incentivá-los a trabalhar com ardor na manutenção dos atuais Grupos de Vivência e na formação de novos. Sabemos que numa sociedade profundamente marcada pelo individualismo, a vida comunitária tende a perder força, por isso, faz-se necessário muito empenho e dedicação para que os fiéis em nossas comunidades se organizem em pequenos grupos. Muitos destes grupos são ou serão organizados territorialmente. Mas, contudo, não podemos desconsiderar outras formas de se viver o cristianismo, não pautadas em comunidades territorialmente estabelecidas, mas sim, em comunidades ambientais e afetivas. “A pluralidade de configurações expressa diferentes formas de buscar Jesus Cristo. São diferentes experiências cristãs que se unem em pontos comuns e, integradas à paróquia, podem constituir uma rede de comunidades” (CNBB, Estudo 104, 159).

Para favorecer o surgimento de novos Grupos de Vivência e o fortalecimento dos existentes, faz-se necessário, entre outras coisas:

1)       Proporcionar adequada formação para os animadores de Grupos de Vivência;

2)       Organizar em cada paróquia a Equipe Paroquial de Coordenação do Serviço de Animação de Comunidades, formada por representantes das diversas diaconias ou comunidades que compõem a paróquia;

3)       Organizar em cada decanato a Equipe Decanal de Coordenação do Serviço de Animação de Comunidades, composta por representantes das paróquias que formam o decanato, a qual, em comunhão com a equipe diocesana e com as equipes paroquiais, deverá oferecer, a nível decanal e paroquial, encontros de formação e promover retiros e momentos celebrativos para animadores de Grupos de Vivência.

4)       Que a Equipe Diocesana de Coordenação do Serviço de Animação de Comunidades ofereça formação para as equipes decanais e paroquiais; promova encontros decanais e diocesanos para animadores de Grupos de Vivência, retiros e momentos celebrativos.

5)       Que os ministros extraordinários de diaconia, os diáconos e os presbíteros, sobretudo os párocos, estimulem a participação dos fiéis nos Grupos de Vivência e promovam encontros formativos para os animadores; realizem a Hora da Palavra, como momento oportuno de encontro, formação e oração com e a partir da Palavra de Deus.

Sobre este último ponto, vale recordar que “a revitalização da comunidade supõe que o pároco estimule a participação ativa dos leigos de sua paróquia. Isso supõe valorizar lideranças leigas, inclusive as novas gerações, e formá-las como discípulas missionárias” (CNBB, Estudo 104, 184). Incentivem, os senhores párocos, a participação dos leigos nos Grupos de Vivência, sobretudo dos que participam ou participaram de algum movimento ou associação eclesial: Apostolado da Oração, Renovação Carismática, Encontro de Casais com Cristo, Cursilho, Equipes de Nossa Senhora e outros. É importante que todos tomem consciência de que os movimentos não podem existir e trabalhar à margem da comunidade eclesial ou como concorrentes dela. A Igreja, mistério de comunhão, supõe a participação de todos, sendo todos os fiéis co-responsáveis por ela.

Espero, caros filhos, que até a Assembleia Diocesana deste ano (09/11), todas as paróquias e decanatos de nossa Diocese possam dar seu testemunho de que já formaram ou estão em formação suas equipes paroquiais e decanais de coordenação do Serviço de Animação de Comunidades; que novos Grupos de Vivência tenham surgido; que novos e antigos Grupos de Vivência estejam a “pleno vapor”, para maior glória de Deus e para o bem de nossa Igreja Particular. Através dos Grupos de Vivência vamos colocar a Bíblia nas mãos de todos os fiéis e, no dizer do Papa Francisco, vamos tornar a Igreja mais perto do povo.

Invoco sobre todos, por intercessão da Virgem de Lourdes, que com seu castíssimo esposo, São José, soube acolher em sua casa a Palavra Salvadora, as mais copiosas bênçãos de Deus.

Um abraço a todos e minha bênção!

In Cruce Domini!  

Apucarana, 12 de outubro de 2013.
Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida
Padroeira do Brasil

Dom Celso Antônio Marchiori
Bispo Diocesano de Apucarana