CF 2014: JESUS, NA PESSOA TRAFICADA, CAMINHA PARA O CALVÁRIO

05 Mar 2014

 "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5, 1)

 

À luz desta palavra de Deus, "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5, 1) a Campanha da Fraternidade deste ano quer nos levar a refletir sobre um tema pouco falado, mas que tem grande incidência em nosso país: o tráfico humano.

Será um tema para rezarmos durante a quaresma enquanto contemplamos o foco principal que é Jesus assumindo a obra de nossa salvação até as últimas consequências. Jesus se entrega a todo tipo de sofrimento para salvar os que sofrem. Ele se entrega à morte para que experimentemos a vida em abundância.

Convido todos os fiéis de nossa diocese para estarem atentos a esta triste realidade do tráfico humano. Pois Jesus, hoje, na pessoa que é traficada, continua seu caminho para o calvário. E nós nem imaginamos quão grande é o sofrimento das vítimas deste crime assombroso.

Quando rezamos a Via Sacra sentimos dor em nosso interior ao contemplarmos a Cristo que sofre por nós e nos perguntamos o que poderíamos ter feito para aliviar tão grandes sofrimentos de Jesus. Refletindo sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, também nos perguntemos: o que podemos fazer para aliviar o sofrimento de tantos irmãos e irmãs, homens, mulheres, crianças, jovens e adultos, vítimas desta ação criminosa praticada por muitos de forma inescrupulosa nos dias de hoje? Jesus continua sofrendo na pessoa destes irmãos e irmãs.

O Papa Francisco, em sua mensagem quaresmal deste ano, diz que devemos imitar Jesus que nos chama a “ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para aliviá-las”.

Tráfico humano é uma realidade que atinge aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana. Conforme Gaudium et Spes, 27, “tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho onde os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador”. E eis nosso grande desafio: “fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria”.

Que o tempo da quaresma nos favoreça uma profunda conversão.  Com a ajuda de Nossa Senhora de Lourdes e de todos os santos, enquanto nos preparamos para a Páscoa com a oração, o jejum e a caridade, que possamos ir “ao encontro das necessidades dos que são vítimas do trafico humano para “curar estas chagas que tanto deturpam o rosto da humanidade”.


Dom Celso Antônio Marchiori

Bispo diocesano de Apucarana