Quaresma, tempo de oração, penitência e conversão

03 Mar 2015

Com a Quarta-Feira de Cinzas iniciamos o Tempo Litúrgico chamado Quaresma. Essa palavra está relacionada ao “n°40”. Os números na Bíblia são simbólicos. O nº 40 indica um período de preparação em vista de um grande acontecimento. Por exemplo: O dilúvio durou 40 dias e 40 noites, e foi um tempo de preparação para uma nova humanidade; 40 anos passou o povo hebreu no deserto, para se preparar antes de entrar na terra prometida; Moisés passou 40 dias e 40 noites na montanha para se preparar e assim ser o guia do povo no deserto; por 40 dias fez penitência, os habitantes da cidade de Nínive, antes de receber o perdão de Deus; Elias caminhou 40 dias e 40 noites para subir à montanha de Deus; Jesus fez um retiro de 40 dias antes de iniciar sua missão. A Quaresma é um período litúrgico que nos prepara para a celebração da maior de todas as festas cristãs: a Páscoa.

As cinzas, colocadas sobre nossas cabeças na celebração da Quarta-Feira de Cinzas, nos lembraram três verdades fundamentais: o nosso nada, a nossa condição de pecadores e a realidade da morte.

Deus nos criou para a vida, a alegria, a santidade e para a vida eterna. Mas nossa desobediência nos arrasta para o pecado, para a tristeza e para a perdição eterna. Na sua infinita misericórdia, o Senhor nos quer de volta. Em diversas passagens da Bíblia encontraremos apelos como esses: voltai para mim, voltai ao Senhor, convertei-vos e tantos outros apelos semelhantes.

Voltar ao Senhor porque ele é benigno, compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar sempre a todos que dele se aproximam. Por isso, aproveitemos bem este tempo favorável para salvação. Busquemos o sacramento da confissão para nos reconciliar com Deus, com o próximo e com a natureza. Jesus nos propõe três armas poderosas para avançarmos no processo de conversão e na busca da santidade: a esmola, a oração e o jejum. Que os exercícios externos de penitência sejam sinais verdadeiros de nossa conversão, de nosso amor a Deus e ao próximo. De fato, Quaresma é um tempo propício para a oração, o jejum e a partilha. Tempo de reconhecer a Deus como o nosso tudo, tempo de nos reconhecer como propriedade exclusiva do Senhor, tempo de proclamar a fidelidade de Deus às suas promessas e de reconhecer que a nossa vida depende totalmente de Deus e de sua generosidade.

Para vivenciarmos plenamente esse período quaresmal, eliminemos de entre nós todo e qualquer tipo de divisão, pois nossa fé nos une num ponto fundamental: a ressurreição de Jesus. Se persistirmos em fomentar divisões, então nossa fé ainda não é perfeita, ou quem sabe até nem a temos, pois sem caridade não há fé.

A liturgia quaresmal aos poucos vai nos mostrando que Jesus salva a humanidade não pelo triunfo e pela fama, mas pelo sofrimento e morte na cruz. Como fez Jesus, precisamos nós também vencer todas as tentações e ser para o mundo um sinal que aponta para Cristo Salvador e para seu reino de amor.

Com a esperança de um dia podermos participar de sua glória, busquemos por todas as formas nosidentificar com Cristo renunciando decididamente os prazeres terrenos. Como cidadãos do céu, busquemos uma vida de santidade, em perfeita comunhão com Deus que nos criou e com a Igreja que nos acolheu desde o dia em que fomos batizados.

Acolhamos também o apelo que nos faz a CNBB com a Campanha da Fraternidade que tem por tema Fraternidade: Igreja e Sociedade e o lema Eu vim para servir (cf. Mc 10,45). Conforme nos diz o Texto base, “A Campanha da Fraternidade deste ano será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano II. Ensinamentos que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhos e filhas de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas, a organização da sociedade estejam a serviço de todos. Na sociedade, a Igreja, as comunidades desejam seguir a Jesus: vim “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

Caminhando com a Virgem Maria, sejamos fiéis ao Evangelho e participemos com Cristo de sua paixão, morte e ressureição para sermos cada vez mais irmãos a serviço de todos.

Depois de percorrermos com Cristo sua Via Crucis, desejo a todos e a todas uma feliz e santa Páscoa da Ressurreição do Senhor.

+Celso A. Marchiori

Bispo Diocesano