Bispos do Brasil reunidos em Aparecida

01 Mai 2015

 

Em Aparecida, no período de 15 a 24 de abril, mais de 400 bispos católicos se reuniram para a 53ª Assembleia Geral da CNBB. Foi um momento privilegiado de comunhão eclesial, efetiva e afetiva, e troca de experiências, onde se pode deliberar sobre os rumos da Igreja no atual momento da história.

Com a disposição de ajudar a Igreja a cumprir sua missão evangelizadora, cada bispo, com suas alegrias e preocupações específicas da sua Diocese e região, trouxe sua colaboração, participando, refletindo e dando sugestões. Todos estão preocupados com o futuro do Brasil diante das constantes denúncias de corrupção, do ódio entre grupos políticos e ideológicos, como também da violência no mundo, da perseguição sofrida pelos cristãos no oriente, das classes trabalhadoras que se veem ameaçadas com as medidas tomadas pelos governos, federal e estaduais, para fazer frente à crise econômica que se instaurou no Brasil e nos Estados.

Todos os dias os bispos se reuniam na Basílica de Nossa Senhora Aparecida para a celebração da Liturgia da Horas e da Santa Missa onde se abasteciam com o louvor, a escuta da Palavra de Deus, a pregação, a intercessão e a Comunhão Eucarística. E havia um clima de grande alegria.

Vários foram os temas que ocuparam os bispos durante estes dias. Especialmente se debruçaram sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas em 2011, adaptando-as à luz da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e inserindo elementos do discurso do Papa Francisco aos bispos durante a Jornada Mundial da Juventude. Também foi trabalhado longamente o texto sobre “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade”, publicado na Assembléia de 2014. A intenção é que as reflexões se aprofundem para que, na próxima Assembleia, o tema seja transformado em documento oficial. Segundo Dom Giovanni d'Aniello, Núncio Apostólico, os campos de apostolado dos leigos são, entre outros, a educação, a assistência, social, o progresso cientifico e a política. A evangelização dos leigos constitui um grande desafio pastoral. O cristão leigo exerce uma ação apostólica que lhe é peculiar e não somente um trabalho complementar ao dos ministros ordenados.

Como sempre acontece nas assembléias, foi refletido longamente sobre a conjuntura eclesial e política de nosso país. Dentro da conjuntura eclesial, diante de toda a mudança social, temos um grande desafio pela frente: como fazer para que a evangelização aconteça numa sociedade em mudança. Quanto à atual conjuntura social, política e econômica do Brasil, ficou dito que se o crescimento não for retomado em pouco tempo, as conquistas sociais estão ameaçadas. Se não voltarmos a crescer, essas conquistas já começam a mostrar corrosão. O desemprego começa a crescer e os salários vão perdendo seu valor real. A inflação começa a pesar, sobretudo, no bolso de quem depende de salários.

Houve denúncia com a falta de compromisso do governo federal que ainda não demarcou as terras indígenas e ficou dito que os últimos governos foram os que menos atuaram nesse sentido. Também tratamos da Reforma Política e de sua urgência. Se não houver uma séria conversão política, as necessidades da maior parte da população nunca serão atendidas de verdade.

Em comemoração aos 50 anos do Concílio Vaticano II, realizou-se uma celebração ecumênica com a participação de lideranças ecumênicas de igrejas pertencentes ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.

Graças a Deus houve uma reflexão e um encaminhamento sobre o dízimo e sua importância para a manutenção das atividades de evangelização das centenas de comunidades no Brasil.

No fim de semana houve um retiro pregado pelo Arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, onde os bispos refletiram sobre sua vocação à santidade e a essência de sua missão: santificar, ensinar e governar. O encerramento do retiro culminou com a missa de envio da juventude, que esteve em vigília durante toda a noite de sábado para domingo, para celebrar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, iniciando, assim, a realização do Projeto Rota 300: com a Mãe Aparecida, Juventude em Missão.

Além disso, houve eleições para uma nova presidência da CNBB, que terá a missão de presidir a entidade nos próximos quatro anos, como também para os presidentes das Comissões Pastorais.

E muitos outros assuntos foram trabalhados e encaminhados, tais como notas pastorais e cartas ao Papa.

Que a ternura da Mãe Aparecida inspire o coração dos bispos para que, a partir desta Assembleia, possam favorecer suas dioceses para que sejam “Igrejas missionárias, solidárias e que saibam ouvir”! Que todas as comunidades eclesiais deste país sejam verdadeiras testemunhas da misericórdia divina.

+Celso A. Marchiori
Bispo de Apucarana