Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

09 Jun 2015

“O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (C.D.C. cân. 897).

A Santíssima Eucaristia é o grande sinal da presença de Deus entre nós, de um Deus que nos ama imensamente sem distinções e sem exclusões. Seu amor é incondicional e total. Deus nos ama até às últimas consequências, ou seja, até à entrega de seu Filho à morte para nos salvar. Assim como a Eucaristia é a atualização do sacrifício redentor de Jesus que se perpetua em cada Missa, assim perpetuamos o seu amor quando amamos, quando vivemos o amor no relacionamento com as pessoas. “Padre Raniero Cantalamessa, falando sobre a força do Sacramento da Eucaristia, diz que: “Graças à Eucaristia nós nos tornamos misteriosamente contemporâneos do acontecimento. O acontecimento se faz presente a nós e nós a ele”. Pela graça do Sacramento da Eucaristia, aquele acontecimento de 2.000 anos atrás, o sacrifício de Jesus na Última Ceia e o sacrifício de Jesus na Cruz e última instância, se faz presente. Nós nos tornamos contemporâneos a esse acontecimento. Ele se faz presente a nós e nós nos fazemos presentes a ele”. Quantas vezes se busca milagres aqui, ali, acolá. A Eucaristia é o maior milagre diante de nossos olhos todos os dias. Se temos Cristo entre nós no Santíssimo Sacramento, temos tudo e já não precisamos de mais nada.
A Eucaristia é um grande sinal de comunhão: comunhão com Deus, com o nosso ser, com a natureza, e com os irmãos na família e na Igreja. Os grandes problemas na Igreja é a falta de comunhão. E se não vivemos em comunhão é porque nossa fé na Eucaristia está fraquinha. É impossível ter fé na Eucaristia e não viver em comunhão. Se dizemos que amamos a Jesus Eucarístico, se professamos nossa fé na presença de Jesus na Eucaristia, então nossa comunhão será visível. Um fenômeno tenho percebido na Diocese, há muitos Ministros Extraordinários para a distribuição da Sagrada Eucaristia, e isso é bom, a Igreja precisa, mas o que me questiono é que encontro dificuldades de encontrar padres, diáconos e leigos para trabalharem nas pastorais sociais, difícil encontrar gente para a pastoral carcerária, para a pastoral do menor, parta a pastoral das crianças e dos idosos, pastoral da saúde e outras pastorais sociais.

A Eucaristia nos faz lembrar as propostas de Jesus nos Evangelhos: renúncia de nós mesmo, carregar a cruz cada dia, ser discípulos missionários, ir ao encontro das pessoas para lhes anunciar o reino de Deus, amar o próximo, viver no despojamento, na obediência e na castidade, construir nossa vida sobre a Rocha que é Cristo mesmo, ser paciente nas tribulações, ter confiança nas dificuldades, perdoar sempre, buscar a justiça e a paz, praticar a misericórdia, ser manso e humilde de coração, honrar e viver bem na família, vivermos cheios do Espírito Santo, ser sal e luz, ou seja, dar gosto, dar sentido e iluminar, com nosso testemunho, as diversas realidades sociais em que vivemos.

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, a Mãe de Jesus e nossa mãe, que viveu bem pertinho de Jesus, acolheu em sua vida o amor incondicional do Pai Celestial, deixou-se guiar pelo Divino Espírito Santo e acompanhou os santos apóstolos em sua missão, interceda por nós para que sejamos mais eucarísticos, ou melhor, ainda que sejamos cada dia mais eucaristizados para a glória de Deus e para o bem da Igreja. Amém.

+Celso Antônio Marchiori


Apucarana, 04 de junho de 2015