SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO SEGUNDO O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

20 Jul 2015

“Não separe, pois, o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6).

Outra forma de Jesus estar entre nós é a vida matrimonial. Um homem e uma mulher, pelo Matrimônio, são fortes sinais da presença de Jesus em nossa história. O Catecismo da Igreja nos ensina que pelo Sacramento do Matrimônio o homem e a mulher “constituem entre si uma comunhão íntima para toda a vida; esta comunhão que visa o bem dos cônjuges e os impulsiona à procriação e a educação dos filhos, é abençoada por Deus: “Deus abençoou-os e disse-lhes: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a" (Gn 1, 28). Por esse motivo, “o homem deixa o pai e a mãe, para se unir à sua mulher: e os dois serão uma só carne” (Gn 2, 24). Isto significa uma unidade indefectível das duas vidas, pois desde o princípio este foi o desígnio do Criador: “Portanto, já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19, 6).  Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, e essa é a vocação fundamental e inata de todo o ser humano. O matrimônio, portanto, não é uma instituição puramente humana. A vocação para o matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, tais como saíram das mãos do Criador, pois Deus mesmo é o autor do matrimônio. O amor mútuo dos dois torna-se imagem do amor absoluto e indefectível com que Deus ama o homem. A mulher, “carne da sua carne” é oferecida ao homem como sua auxiliar representando assim aquele “Deus que é o nosso auxílio”. Essa é a realidade inicial da vocação matrimonial. Infelizmente, desde sempre a vida conjugal esteve ameaçada pela discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, o ciúme e conflitos capazes de ir até ao ódio e à ruptura. Esta desordem, que dolorosamente comprovamos em nossos dias, não procede da natureza do homem e da mulher, nem da natureza das suas relações, mas do pecado. Ruptura com Deus, o primeiro pecado, tem como primeira consequência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher. As suas relações são distorcidas por acusações recíprocas; a atração mútua, dom próprio do Criador, converte-se em relação de domínio e de cupidez: a esplêndida vocação do homem e da mulher para serem fecundos, multiplicarem-se e submeterem a terra fica sujeita às dores do parto e do ganha-pão. Para curar as feridas do pecado, o homem e a mulher contam com a ajuda da graça que Deus, na sua misericórdia infinita, nunca lhes recusou. Sem esta ajuda, o homem e a mulher não podem chegar a realizar a união das suas vidas para a qual Deus os criou no princípio, pois “a saúde da pessoa e da sociedade está estreitamente ligada a uma situação feliz da comunidade conjugal e familiar”.  Jesus, ajuda de Deus para o homem ferido pelo pecado, nas bodas de Caná, torna-se uma manifestação de que  o matrimônio é um sinal eficaz de sua presença no mundo. Em suas pregações, ele ensinou sem equívocos o sentido original da união do homem e da mulher, tal como o Criador a quis no princípio: a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel e foi o próprio Deus quem a estabeleceu quando disse: “Não separe, pois, o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6). Jesus mesmo é a graça para se viver o matrimônio na dimensão nova do Reino de Deus. Seguindo a Cristo, na renúncia a si próprios e tomando a sua cruz, os esposos poderão compreender o sentido original do matrimônio e vivê-lo com alegria e perseverança. Portanto, os esposos cristãos, no seu estado de vida e na sua ordem, têm, no povo de Deus, os seus dons próprios. Esta graça própria do sacramento do Matrimônio destina-se a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortalecer a sua unidade indissolúvel. Por meio desta graça, eles se auxiliam mutuamente para chegarem à santidade pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos. E Cristo mesmo é sempre a fonte desta graça. A ele a glória e o poder para sempre.

 

+Celso A. Marchiori

Bispo de Apucarana