Sacramento da Ordem

27 Jul 2015

JESUS ESTÁ PRESENTE NO MEIO DE NÓS

SEGUNDO O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

 

“Disse Jesus aos seus discípulos: A messe é grande, mas os operários são poucos.

Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe”  (Mt 9, 37-38).

 

Amados irmãos e irmãs, partilho com vocês, à luz do Catecismo da Igreja Católica, alguns pensamentos sobre o sacramento da Ordem. Jesus está presente no meio de nós através do Sacramento da Ordem. Este sacramento configura o ordinando com Cristo por uma graça especial do Espírito Santo, a fim de servir de instrumento de Cristo em favor da sua Igreja. Pela ordenação, recebe-se a capacidade de agir como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, na sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei. A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, em nossos dias e se prolongará até o fim dos tempos. Este é o sacramento do ministério apostólico, compreendido em três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconado. É um dos meios pelos quais Cristo, Sacerdote, Mestre e Pastor, não cessa de construir e guiar a sua Igreja. No serviço eclesial dos bispos, padres e diáconos, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja, como Cabeça do seu corpo, Pastor do seu rebanho, Sumo-Sacerdote do sacrifício redentor, mestre da verdade. É um serviço em favor do desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos, pois todos, pelo batismo, são sacerdotes, profetas e reis. Pelo ministério ordenado, especialmente dos bispos e padres, a presença de Cristo como Cabeça da Igreja torna-se visível no meio da comunidade dos fiéis. Segundo a bela expressão de Santo Inácio de Antioquia, o Bispo é a imagem viva de Deus Pai. O Bispo possui a graça de guiar e defender, com força e prudência, a sua Igreja, como pai e pastor, com amor desinteressado para com todos e uma predileção pelos pobres, os enfermos e os necessitados. Esta graça impele-o a anunciar o Evangelho a todos, a ser o modelo do seu rebanho, a ir adiante dele no caminho da santificação, identificando-se na Eucaristia com Cristo sacerdote e vítima, sem recear dar a vida pelas suas ovelhas. O encargo que o Senhor lhe confiou é um verdadeiro serviço em favor de cada cristão e da Igreja. Conforme o Vaticano II, “Entre os vários ministérios, que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da Tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado através de uma sucessão que remonta às origens, são os transmissores da semente apostólica” (LG 20). Os presbíteros, todavia, embora não possuam o pontificado supremo e dependam dos bispos no exercício do próprio poder, por virtude do sacramento da Ordem, são consagrados à imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote, para pregar o Evangelho, ser pastores dos fiéis e celebrar o culto divino como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. O padre age na pessoa de Cristo Cabeça, pois como nos diz Sto. Tomás de Aquino, “Cristo é a fonte de todo o sacerdócio; no Antigo Testamento o sacerdócio era figura de Cristo; já no Novo Testamento o sacerdote age na pessoa de Cristo”. Pelo sacramento da Ordem, o padre recebeu um “poder sagrado”; é a autoridade do próprio Cristo que por amor se fez o último e servo de todos. Além de representar Cristo, Cabeça da Igreja, perante a assembléia dos fiéis, o sacerdote age também em nome de toda a Igreja, quando apresenta a Deus a oração da mesma Igreja e, sobretudo, quando oferece o sacrifício eucarístico. A respeito da pessoa do sacerdote, Sto. Cura d'Ars costumava dizer: “É o sacerdote quem continua a obra da redenção na terra”... “Se compreendêssemos bem o que o sacerdote é na terra, morrer-se-ia, não de medo, mas de amor”. [...] “O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”. Os diáconos participam de modo especial na missão e na graça de Cristo. O sacramento da Ordem marca-os com um selo(carácter) que ninguém pode fazer desaparecer e que os configura com Cristo, que se fez “diácono”, isto é, o servo de todos. Entre outros serviços, cabe aos diáconos assistir o bispo e os sacerdotes na celebração dos divinos mistérios, sobretudo da Eucaristia, distribuí-la, assistir ao Matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade. Este sacramento configura o ordinando com Cristo por uma graça especial do Espírito Santo, a fim de servir de instrumento de Cristo em favor da sua Igreja. Cristo, então, deve ser o modelo para todos os que recebem o Sacramento da Ordem. Agindo na pessoa de Cristo e Cristo agindo na pessoa dos que recebem o sacramento da Ordem o Povo Deus, a Igreja, recebe do próprio Deus os cuidados de que necessita. Segundo São João Crisóstomo “O Senhor disse claramente que o cuidado dispensado ao seu rebanho seria uma prova de amor para com Ele”. Por isso, prezados irmãos e irmãs, amemos os nossos bispos, reverenciemos os nossos sacerdotes, tenhamos um especial carinho pelos nossos diáconos. E rezemos pela santificação de todos eles. Neste mês de agosto, especialmente, rezemos pelas vocações sacerdotais e religiosas.

 

+Celso A. Marchiori

Bispo de Apucarana