A UNÇÃO DOS ENFERMOS SEGUNDO O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

31 Jul 2015

“Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo no nome do Senhor” (Tg 5, 14)

 

Amados irmãos, vamos refletir sobre o Sacramento da Unção dos Enfermos. Jesus está presente no meio de nós atuando na pessoa dos enfermos através dos sacerdotes quando administram este Santo Sacramento. Pela Unção dos Enfermos, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor, sofredor e glorificado, para que os alivie e os salve: mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à paixão e morte de Cristo, concorram para o bem do povo de Deus. Na doença, o homem experimenta a sua incapacidade, os seus limites, a sua finitude. A doença pode nos levar à angústia, ao fechar-nos em nós mesmos e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode nos tornar uma pessoa mais amadurecida, pode nos ajudar a discernir o que não é essencial para nos voltar para o que o é. Muitas vezes, a doença nos leva a buscar Deus com mais fervor, com mais convicção. A compaixão de Cristo para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos de toda a espécie são um sinal claro de que «Deus visitou o seu povo» e de que o Reino de Deus está próximo. Jesus tem poder não somente para curar, mas também para perdoar os pecados: veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo: é o médico de que os doentes precisam. A sua compaixão para com todos os que sofrem vai ao ponto de identificar-Se com eles: «Estive doente e me visitastes» (Mt 25, 36). O seu amor de predileção para com os enfermos continua, ao longo dos séculos, através da Igreja, particularmente quando esta administra este santo sacramento. A Igreja recebeu este encargo do Senhor e procura cumpri-lo, tanto pelos cuidados que dispensa aos doentes, como pela oração de intercessão com que os acompanha. A Unção dos Enfermos não é sacramento só dos que estão prestes a morrer. Por isso, o tempo oportuno para recebê-la é, certamente, quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a estar em perigo de morte. Se um doente que recebeu a Unção recupera a saúde, pode, em caso de nova enfermidade grave, receber outra vez este sacramento. No decurso da mesma doença, este sacramento pode ser repetido se o mal se agrava. É conveniente receber a Unção dos Enfermos antes duma operação cirúrgica importante. E o mesmo se diga a respeito das pessoas de idade, cuja fragilidade se acentua. Somente os bispos e os presbíteros são ministros da Unção dos Enfermos. É dever dos pastores instruir os fiéis acerca dos benefícios deste sacramento. Que a família e os amigos animem os enfermos a chamarem o sacerdote para serem ungidos. Quanto for possível, não esperem o doente se agravar mais ainda para receber o sacramento da unção. Não esperem o doente entrar numa UTI para chamar um padre. Alguns hospitais até dificultam a entrada de sacerdotes nas UTIs. E é um direito do enfermo receber a unção. Porém, que os doentes se preparem para recebê-lo com boas disposições, com a ajuda do seu pastor e de toda a comunidade eclesial, convidada a rodear, de um modo muito especial, os doentes, com as suas orações e atenções fraternas. Os efeitos deste sacramento são muitos. Sendo um dom particular do Espírito Santo, o primeiro efeito deste sacramento é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias do estado de doença grave ou da fragilidade da velhice. Esta graça é um dom do Espírito Santo, que renova a confiança e a fé em Deus, e dá força contra as tentações do Maligno, especialmente a tentação do desânimo e da angústia da morte. Esta assistência do Senhor pela força do seu Espírito visa levar o doente à cura da alma, mas também à do corpo, se tal for a vontade de Deus. Além disso, se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5, 15). Pela graça deste sacramento, o enfermo recebe a força e o dom de se unir mais intimamente à paixão de Cristo: ele é, de certo modo, consagrado para produzir frutos pela configuração com a paixão redentora do Salvador. O sofrimento, sequela do pecado original, recebe um sentido novo: transforma-se em participação na obra salvífica de Jesus. Os doentes que recebem este sacramento, associando-se livremente à paixão e morte de Cristo, concorrem para o bem do povo de Deus. Ao celebrar este sacramento, a Igreja, na comunhão dos santos, intercede pelo bem do doente. E o doente, por seu lado, pela graça deste sacramento, contribui para a santificação da Igreja e para o bem de todos os homens, pelos quais a Igreja sofre e se oferece, por Cristo, a Deus Pai. Se o sacramento da Unção dos Enfermos é concedido a todos os que sofrem de doenças e enfermidades graves, com mais forte razão o é aos que estão prestes a deixar esta vida: de modo que se chama também sacramento dos que partem. A Unção dos Enfermos completa a nossa conformação com a morte e ressurreição de Cristo, tal como o Batismo a tinha começado. Leva à perfeição às unções santas que marcam toda a vida cristã: a do Batismo nos dá vida nova; a da Confirmação nos robustece para o combate desta vida; a Unção dos Enfermos mune o fim da nossa vida terrena como que de um sólido escudo em vista das últimas batalhas, antes da entrada na Casa do Pai. Portanto, que ninguém tenha receio de buscar, quando necessário, a Sagrada Unção dos Enfermos. 

 

+Celso A. Marchiori

Bispo de Apucarana