Igreja em estado permanente de missão

01 Out 2015

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura! ” (Mc 16, 15)

Desde quando Jesus enviou seus apóstolos, dia da sua ascensão, para que pregassem o evangelho a toda a criatura, a Igreja não parou de realizar a missão que Nosso Senhor lhe propôs naquele momento solene.  Jesus é o missionário do Pai e, portanto, a partir do seu testemunho e do anúncio explícito de sua pessoa e mensagem, ele envia seus discípulos para que estejam em constante atitude de missão. A natureza da Igreja é ser missionária. Sem essa dimensão a Igreja deixa de ser Igreja. Ela existe para ser missionária, ou seja, para anunciar a pessoa e a mensagem de Jesus. O conteúdo da mensagem da Igreja é o próprio Cristo, sua vida, seus ensinamentos, suas propostas, sua vida doada até as últimas consequências, ou seja, até a morte e morte de cruz. Em cada tempo da história, a missão da Igreja vai assumindo novas fisionomias, novas modalidades, um novo jeito de ser e de fazer, mas a missão de anunciar o evangelho nunca deixa de acontecer.

Segundo o documento do Concílio Vaticano II, Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, Deus envia a Igreja a todas as pessoas para ser sacramento universal de salvação; agindo assim ela obedece a um mandato do seu fundador, Jesus, e, incansavelmente, vai ao encontro de todas as pessoas para lhes anunciar o Evangelho. Os próprios Apóstolos, alicerces da Igreja, seguindo o exemplo de Cristo, pedra angular da mesma, corajosamente pregaram a palavra da verdade e organizaram as primeiras comunidades eclesiais. Muitos, ao escutarem suas pregações, experimentavam fortemente a alegria de Deus em seus corações, se convertiam, eram batizados, recebiam o Espírito Santo e seguiam a Jesus.

Hoje, a nós compete perpetuar esta obra através de nossa ação missionária para que a palavra de Deus rapidamente chegue ao coração das pessoas, para que também elas se sintam chamadas a fazer parte do reino de Deus que deve ser estabelecido em toda a terra. E, assim, sejam erradicados da terra, do coração das pessoas e da vida familiar o egoísmo, a desonestidade, a divisão, a violência, a morte, o ateísmo, a indiferença religiosa, a destruição da natureza e tantas outras atitudes humanas que revelam que o evangelho ainda é um grande desconhecido.

Portanto, vamos conhecer nossas diretrizes da ação evangelizadora da Igreja, seja da CNBB nacional, da CNBB regional e, sobretudo, nosso plano pastoral da diocese de Apucarana que, logo mais será reelaborado e publicado a partir da Assembleia Diocesana que acontecerá nos dias 13 e 14 de novembro próximo. Todos esses documentos eclesiais serão valiosos instrumentos que nos darão uma direção segura e eficaz em nossas atividades missionárias. Com essas orientações, trabalhando em profunda comunhão, teremos forças para colaborar na preservação da vida tornando-a mais saudável e mais humana em todos os sentidos.

Além das tantas iniciativas da Igreja, para fazer chegar o evangelho a todos os corações, temos em muito apreço as Santas Missões Populares que já estão dando muitos frutos em toda a diocese. Muitas pessoas estão descobrindo ou redescobrindo um caminho novo para a vivência de sua fé e de sua vida eclesial. As Santas Missões Populares estão favorecendo o convite insistente do Papa Francisco para que a Igreja saia de si mesma e vá ao encontro das pessoas nas realidades onde se encontram. Mas precisamos progredir mais ainda; precisamos de mais missionários que estejam dispostos a realizar esta árdua tarefa, mas, ao mesmo tempo, tão gratificante. A Igreja não pode ser mais outra coisa senão uma Igreja em “saída missionária”.

Olhando os novos documentos eclesiais, a partir da Conferência de Aparecida e do Papa Francisco, a Igreja tem realizado importantes atividades que vão despertando a fé de muita gente, como é o caso das viagens missionárias que o Papa realiza em muitos países. Podemos acrescentar aqui, as Visitas Pastorais que os bispos realizam em suas dioceses, como também as visitas aos enfermos, às famílias e aos diversos grupos eclesiais que realizam os padres, diáconos, ministros, catequistas, missionários e outros servidores pastorais.  Sejamos também missionários pela oração rezando por Francisco, pelos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e pelos muitos missionários leigos que trabalham nas comunidades diocesanas, no regional do Paraná, no Brasil e no mundo inteiro, como também aqueles que trabalham em nossas igrejas irmãs de Guiné Bissau, na África e em Corumbiara, no estado de Rondônia.

Realizando generosamente nossas atividades missionárias, reunindo forças para continuarmos a seguir pelo caminho estreito da cruz, vamos difundindo por toda a parte o reino de Cristo, Senhor e perscrutador dos séculos, e preparemos com alegria os caminhos para a sua vinda.

Caminhemos com a Mãe de Jesus e, na força do Espírito Santo que a cobriu com sua sombra, estejamos sempre animados na missão evangelizadora para que tornemos possível, e sempre mais perfeitamente, a comunhão, o crescimento da fé e os variados frutos que favorecerão um mundo de liberdade, de alegria e de paz.

+Celso Antônio Marchiori

Bispo de Apucarana