Ajudar a Igreja em suas necessidades

01 Jul 2016

Ajudar a Igreja em suas necessidades é o quinto ponto dos chamados mandamentos ou preceitos da Igreja. É assim que encontramos no Catecismo da Igreja, número 2043.

Quando criança, na década de 60, nos repassaram esse mandamento como sendo “pagar o dízimo segundo o costume”, mas não cumpríamos esse preceito como estava escrito. Normalmente, ajudávamos a comunidade eclesial com objetosque ofertávamos para os sorteios que se costumava fazer por ocasião de festas e quermesses comunitárias. E para quem tinha condições e quisesse, ainda podia contribuir através de sua participação nos almoços e em outras promoções que se fazia.

Hoje, por motivos diversos, morais e legais, estamos num processo de mudanças. Muitas comunidades eclesiais já conseguem, com folga, sustentar suas estruturas, a formação dos agentes pastorais e toda a ação evangelizadora com o dízimo dos fiéis, coletas no ofertório da missa e, às vezes, com ofertas extraordinárias que alguém faz por algum motivo especial, ou por que percebe que a comunidade, num determinado momento, está necessitada de uma doação extra, como por exemplo, para uma restauração ou construção. Muitas pessoas têm ajudado suas comunidades desta forma.

No dia 20 de junho, a CNBB aprovou um texto que, certamente, vai contribuir, e muito, para o desenvolvimento de nossos trabalhos pastorais. Tive a graça de fazer parte do grupo que elaborou esse documento. Nos próximos dias ele será publicado pela editora da própria CNBB. É um texto muito oportuno que nos dará orientações para a Pastoral do Dízimo.

Com o título “O Dízimo na Comunidade de Fé - Orientações e Propostas”, tal documento nos apresenta o dízimo na perspectiva da evangelização, como um dos elementos da “conversão pastoral”, que foi assumida pela Conferência de Aparecida (2007) e que têm sido vivamente recomendadas pelo Papa Francisco. O presente documento indica elementos bíblicos e teológicos fundamentais para a compreensão do dízimo; esclarece conceitos e termos para favorecer a compreensão e superar eventuais equívocos; oferece orientações gerais a respeito da Pastoral do Dízimo, em vista das escolhas a serem feitas localmente; emprega uma linguagem propositiva, respeitando a diversidade cultural e a identidade das Igrejas particulares.

Certamente, este texto, a partir de fundamentações bíblicas, cristológicas e eclesiais, vai nos situar o dízimono âmbito da fé cristã bem como, a Pastoral do Dízimo, adequadamente situada, na pastoral de conjunto em perspectiva de evangelização.

Ajudar a Igreja com o dízimo é um modo de: reconhecer que Deus é o Senhor de todos os bens (dimensão religiosa), manter as estruturas eclesiais no âmbito paroquial e diocesano (dimensão eclesial), partilhar os recursos em vista do crescimento do Reino de Deus (dimensão missionária) e do serviço da caridade (dimensão caritativa).

Com estas orientações e propostas, oferecidas às nossas comunidades como uma referência em seu empenho de conversão pastoral e de renovação comunitária, a Igreja no Brasil, nesta hora missionária, renova vigorosamente sua opção pelo dízimo como forma habitual de manutenção das comunidades e da ação evangelizadora.

Confiemos esse trabalho evangelizador à Santa Virgem Maria,Nossa Senhora de Lourdes. Como nas Bodas de Canáque,com fina sensibilidadenotou a falta do vinho, que ela nos ensine a fazermos sempreo que seu Filho disser (Jo 2,3.5).

Na alegria de pertencermos à Igreja e com minha bênção apostólica,

+Celso A. Marchiori

Bispo Diocesano de Apucarana