A morte, minha experiência de Páscoa

03 Nov 2016

Dia 2 de novembro celebramos a memória do fiéis defuntos. Esse dia, conhecido como o “dia de Finados”, passou a existir a partir do ano 998 dc. Foi Santo Odilon, abade do mosteiro beneditino de Cluny, França, que introduziu essa celebração. Ele propôs aos monges para que rezassem por todos os mortos, de todos os lugares e de todos os tempos. Somente mais tarde, o Papa, em Roma, na Itália, adotou o dia 2 de novembro como o dia de Finados. Algumas passagens bíblicas fundamentam essa antiquíssima tradição católica: (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46).

Não é a morte que exaltamos no dia de Finados, mas a vida, a vitória da vida. Comemoramos nossa fé na ressurreição e a esperança do encontro definitivo com Jesus na morada que ele mesmo nos preparou no seio misericordioso de Deus. A celebração dos fiéis defuntos é uma oportunidade que nos favorece agradecer a Deus pela existência daqueles que nos precederam e que fizeram parte de nossa história.
Ao redor do altar do Senhor, ao celebrarmos o Sacrifício Eucarístico, no qual se atualiza o Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, bendizemos o nosso bom Deus pela vida de nossos irmãos e irmãs falecidos. O Senhor os chamou para junto de Si, mas na Eucaristia estamos em profunda comunhão com todos eles que agora contemplam Jesus face a face. 
Deus não nos criou para morrer, mas para viver. A morte não é o fim, mas a condição para o começo de uma nova vida, de uma vida plena, de uma vida feliz. Podemos colocar na boca dos que morreram esta Palavra do salmista que nos faz refletir profundamente: “Afora vós, o que há para mim no céu? Se vos possuo, nada mais me atrai na terra. Meu coração e minha carne podem já desfalecer, a rocha de meu coração e minha herança eterna é Deus” (Sl 72, 25-26).

Em comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs, vivendo de acordo com seus ensinamentos e em plena sintonia com sua Palavra, enquanto esperamos nossa vez de partir, com tranquilidade e sem medo da morte, vivamos bem e façamos somente o bem enquanto somos peregrinos nesta terra. Com os olhos fixos em Jesus, nosso modelo e nosso referencial, sigamos em frente, rumo à eternidade.

A vivência do Evangelho é nossa segurança e garantia de que só iremos desfrutar plena felicidade após nossa morte. Com isso, experimentemos uma profunda alegria, pois nossa vida depende somente de Deus nosso Pai que, em seu Diletíssimo Filho Jesus, nos presenteou com uma vida nova e abundante. Portanto, sem medo e sem tristeza, desde já, contemplemos nossos entes queridos vivendo em Deus, por ele e para ele, numa alegria sem fim. Eles estão bem, muito bem. Pode existir alguma coisa melhor e mais importante do que estar na presença de Deus e receber dele um amor pleno? Quanto a nós que ficamos, por mais um tempo, sejamos um sinal de esperança para todos os que nos rodeiam.

Ajudemo-nos mutuamente e, atentos aos sinais dos tempos, escutemos quais os apelos que o Senhor nos faz, e vivamos por aqui como se já estivéssemos no céu. Aliás, na medida em que nos comprometemos com a vida, vivendo na caridade e celebrando com muita devoção os santos sacramentos, especialmente a Eucaristia, nós antecipamos o eterno convívio, antecipamos a contemplação do amor de Deus que em plenitude viveremos nas mansões eternas.

A Bem-Aventurada Virgem Maria, com a qual o nosso misericordioso e bom Pai celestial nos presenteou, nos acompanhe na terra até o derradeiro momento em que todos partiremos para desfrutar plenamente das eternas alegrias.

+Celso A. Marchiori
Bispo de Apucarana