O drama da paixão...
Como é possível que o Inocente por excelência Cristo Jesus pudesse sofrer tanto? Como é possível que a Imaculada Nossa Senhora, sem pecado algum, possa ter sofrido tanto?
Meu Deus, Meu Deus por que me abandonastes? Gritou Jesus na cruz, ouvimos no evangelho do domingo de ramos.
O mesmo grito continua sendo escutado, nesta hora em tantos hospitais, em tantos velórios, em tantas casas, em tantos doentes, idosos e abandonados.
Meu Deus, Meu Deus por que me abandonastes?
O mesmo grito continua ecoando nos países em guerra, onde inocentes morrem diante do decreto dos poderosos deste mundo e diante do lava-mãos de tantos Pilatos hodiernos.
Meu Deus, Meu Deus por que me abandonastes?
É o grito de tantas mães e pais diante da toxicodependência de seus filhos. Como é possível que no nosso Brasil, em nossas cidades o crime organizado continue capturando nossos jovens e filhos e inserindo-os na guerra urbana nas grandes e pequenas cidades, antes tão tranquilas, hoje continuamente ameaçadas.
Meu Deus, Meu Deus por que me abandonastes?
Como é possível em um pais cristão como o nosso, tantos feminicídios e tantos abortos ?
E a ladainha do sofrimento de Cristo nos irmãos e irmãs, em cada um de nós, poderia continuar e adentrar a noite.
Ao lado do grito de Cristo na Cruz , ouvimos, a.... dor de Nossa Senhora, um grito sufocado de uma jovem Mãe, Maria Santíssima:
Filho, por que fizestes isso conosco?
Maria assim perguntou ao adolescente Jesus, perdido por 3 dias e reencontrado no Templo de Jerusalém?
Hoje, Maria Santíssima, também dirige a mesma pergunta a cada um de nós, reunidos nesta tarde.
Filho, filha por que fizestes isso conosco?
Sim.... O pecado da Humanidade fez acontecer o sofrimento de Cristo e de sua Mãe.
O pecado da humanidade faz tantos inocentes sofrer....
O Profeta Isaias já profetizava: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou nossos sofrimentos; e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. Isaías 53
E o apostolo São Pedro: Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.
O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.
O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente;
Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.
Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas, Cristo Jesus.
1 Pedro 2:21-25
Esta é a tarde do silencio, do silencio de Deus, diante da cruz de Jesus, diante do sofrimento dos inocentes de todos os séculos.
Como gostaríamos de respostas.... Como gostaríamos que Deus agisse de forma diferente.... Como gostaríamos que Deus intervisse no Calvário de Jerusalém e nos calvários de nossas vidas.
Mas a escolha de Deus é sempre diferente.... Os meus pensamentos, não são os vossos pensamentos, os meus caminhos não são os vossos caminhos....
Deus diante do sofrimento se faz um conosco. Deus em Jesus sofre com a humanidade sofredora.
A aliança de Deus conosco no sofrimento é dizer: Vede, vos que passais pelo caminho se há dor igual a minha dor?
Vede se sofreis o mesmo que eu sofri, carregando o peso do mundo inteiro?
A resposta de Deus diante de nossos sofrimentos é a SOLIDARIEDADE DIVINA, não só afirmada, mas comprovada com a cruz: EU CARREGUEI AS SUAS DORES, EU CARREGUEI AS SUAS CRUZES.
Diante da realidade do Filho de Deus, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por Ele todas as coisas foram feitas, diante de um Deus crucificado, nós, mesmo não compreendendo só podemos dizer, como o fizemos no salmo responsorial:
PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPIRITO!
PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPIRITO!
PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPIRITO!
E, com Maria, na entrega aguardemos a ressurreição!
Comentários