“Deus não faz distinção entre as pessoas” (AT, 10,34)
Rezemos pela Paz! É o apelo constante do Santo Padre, nosso amado Papa Leão XIV! Insistentemente, Ele nos exorta a rezar pela paz e, mais que isso, a sermos construtores da paz! Não uma paz conveniente, mas uma paz desarmada e desarmante, que emana do próprio Jesus, que nasceu, viveu e morreu por todos, sem distinção de pessoas! A humanidade está mais temerosa a cada dia, o medo e a apatia tem se tornado como que uma capa protetora que deixa sem ação e reação todo ser humano. A sensação de estarmos envoltos em trevas gera um aumento da falta de perspectivas de melhoras! A paz tão desejada pela humanidade por vezes nos parece ser uma utopia nesses tempos em que a violência parece se sobrepor ao amor e à justiça. O Papa nos conclama mudar isso! Ele sabe que podemos plantar sementes de paz que frutificarão em grandes oásis de Luz, onde o Cristo, Senhor da Paz, reinará! A alegria do Santo Natal ainda permeia nosso coração, o colorido dos enfeites e o calor dos abraços e reencontros familiares deixa um perfume de ‘quero mais’ em nós. Queremos mais amor, paz, encontros, cores e presentes. Não presentes materiais, mas presentes de presença humana, abraços e desejos de paz e de feliz nascimento em Cristo. Natal é tempo de Luz, Luz de Cristo que nasce para dissipar as trevas: é tempo de reconciliação. Ano-Novo é um ciclo de continuidade e reinícios, onde vislumbramos novos sonhos e oportunidades, que podemos chamar de esperança! No entanto, novas realidades dependem de iniciativas e não de milagres; são ações individuais que devem se concretizar no coletivo. Se desejo paz na minha família, preciso dar o primeiro passo em direção ao diálogo e ao perdão. A oração é a fonte da ação humana, pois nos faz agir segundo a vontade de Deus. Rezar e agir, eis o caminho para a paz. O nascimento de Jesus é em si mesmo uma perfeita doação a toda humanidade, sem distinção Ele vem para trazer a Paz e a Luz a todos e a cada um. Ele manifestou a sua Glória aos pastores e aos magos e estes, a todos a quem puderam testemunhar! E nós, a quem testemunhamos que o Príncipe da Paz é Jesus? Falamos da Paz de Cristo aos irmãos? Professamos que cremos verdadeiramente que a paz só será possível se nos moldarmos a Jesus? Não permitamos que o desânimo tome posse da nossa alma, que o medo se faça maior que nossa fé! O Espírito Santo como nosso Auxiliador, que Ele faça sua obra através de nós! Não deixemos o inimigo colocar medo em nosso coração, embora rodeados por guerras e lutas, trevas que parecem invencíveis, se nos abrirmos à paz como um caminho e uma presença em meio a nós, seremos uma pequena chama a aquecer corações desesperançados! Santo Agostinho nos ensina: “Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa”. Lembremo-nos: nossas ações dependem de nossas escolhas. Já vimos brotar flores em meio a espinhos, esperança em meio a grandes tragédias. Sejamos sementes de paz em todo lugar!
+Dom Carlos José
Bispo da Diocese de Apucarana - Paraná